Faça de conta


Se o dia amanheceu nublado
e acabrunharam os sonhos da noite anterior,
faça de conta que o sol
saiu do céu para habitar o seu peito.
Não olhe para fora, veja-se por dentro.

Se não lhe foi dado o merecido
ou se seu valor não foi por outro reconhecido,
tente outra vez, grite mais alto,
apenas para você,
pois é de pouca importância o aplauso.
O que conta realmente
é a convicção dos seus próprios valores,
é a média ponderada na sua visão das cores,
é o seu conceito do certo ou errado,
do melhor ou pior,
do feio ou bonito,
do que se vai e do que persiste.
Faça de conta que aplauso não existe.

Se, no amor, a sorte não lhe sorriu,
não some, aos velhos, os novos dissabores.
Que lhe dê alegria o fato de ter amado
pois, a corresponder-lhe, ninguém é obrigado.
Não diga ao mundo, em defesa própria,
que ninguém vai amar
mais ou melhor que você.
Os efeitos do seu amor
só tem tamanho no peito amado.
Ali ele pode ter sido desvalorizado.
Aceite e faça de conta que amou errado.

E que esse "faz de conta"
não alongue demais as suas asas
pois fértil é o chão quando é escolhido,
reconhecido e cultivado.
Azedo é o limão
para quem gosta de sorvê-lo
sem ser adoçado.
Quando não tem jeito,
faça de conta...
  
O * O * O * O * O * O * O * O
 
Cleide Canton
SP, 05/09/2005
11:20 horas
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 Página editada em 28/11/2006

Atualizada em 30/11/2006



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